Baleia para além do simulacro

Baleia como indivíduo na obra Vidas Secas
Paula Pardillos

Se às vezes digo que as flores sorriem 
E se eu disser que os rios cantam, 
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores 
E cantos no correr dos rios… 
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos 
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios. 
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes 
À sua estupidez de sentidos… 
Não concordo comigo mas absolvo-me, 
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza, 
Porque há homens que não percebem a sua linguagem, 
Por ela não ser linguagem nenhuma. 

Alberto Caeiro

 

O presente artigo se propõe a estudar os conceitos Aisthesis e Katharsis, como apresentados por Hans Robert Jauss, na experiência de leitura do romance Vidas Secas de Graciliano Ramos, tendo como mote a personagem Baleia e sua possibilidade de despertar uma mudança de perspectiva no leitor acerca dos animais enquanto seres dotados de subjetividade.

Para sustentar a tese acima, esclarecemos aqui o conceito de senciência, que diz respeito à capacidade de um ser de possuir consciência subjetiva de sua existência; isto é, um ser que tem preferências, anseios, capacidade de experimentar sofrimento ou alegria. Levando em consideração a senciência animal e os argumentos científicos[i] e filosóficos em seu favor nos tempos recentes, nos parece válido analisar o universo psíquico de Baleia não apenas como um símbolo das aflições humanas.

Em Vidas Secas a sobreposição de vozes permite que o leitor investigue os pontos de vista de variados personagens, deslocado de sua posição de espectador identificado com o narrador-observador, passando a estar diretamente em contato com a subjetividade de cada indivíduo/personagem; assim podendo se colocar no lugar de cada personagem, a partir de suas próprias perspectivas acerca do mundo. Pereira (1918) sugere que Graciliano conseguiu, assim, “ressaltar a humanidade dos que estão nos níveis sociais e culturais mais humildes” e revelar uma “condição humana intangível e presente na criatura mais embrutecida”. Sugerimos que se entenda essa “humanidade” e “condição humana” como a própria subjetividade acima referida: detenção de interesses, ímpetos, desejos; possibilidade de frustração, anseios, etc. Dessa forma pode-se haver, a partir da leitura do romance, uma percepção do animal enquanto indivíduo também no mundo externo – o que exploraremos a seguir – caso haja uma sensibilização nos mesmos moldes sugeridos por Pereira para os personagens humanos.

Devemos lembrar, para tanto, que esse movimento de trazer à luz o subjetivo não se resumiu apenas aos personagens humanos, como também se dá na personagem Baleia. Nos momentos que prevalece seu ponto de vista, temos, por exemplo, os sentimentos de: expectativa (p.56), frustração (p. 60), impaciência (p. 57), paciência (p. 70), contentamento (p. 81), medo (p. 88), aflição (p. 89). Algumas passagens podem parecer ao leitor por demais antropomorfizadas, mas, como o próprio Candido (1918) sinaliza “[Baleia] permite ao narrador inventar a interioridade do animal”, não podendo o narrador, naturalmente, ser fiel a uma interioridade que não pode conceber – o texto ainda nos lembra, com uma espécie de inversão, que o animal da mesma forma não tem acesso à nossa compreensão do mundo: “[Baleia] o dia todo espiava os movimentos das pessoas, tentando adivinhar coisas incompreensíveis”; permitindo-nos inferir, portanto, que seja uma capacidade diferente, e não menor. Para o entendimento desses fenômenos, lançamos mão do conceito de Aisthesis, que seria o resultado de “um processo de estranhamento que leva a uma visão renovada” (JAUSS, 2002).

Ainda no mesmo sentido, em alguns momentos a interpretação parece tentar se aproximar do real: “Tinha havido um desastre, mas Baleia não atribuía a esse desastre a importância em que se achava…” ou ainda “encolheu-se para sentir bem o contato agradável, experimentou uma sensação como a que lhe dava a cinza do borralho”. Seguimos apoiados no mesmo conceito, explicitando ainda que a função comunicativa operada pela Aisthesis se dá quando o observador compreende o percebido como uma informação acerca do mundo do outro (JAUSS, 2002).

A partir dessa nova percepção adquirida, levamos agora em conta o envolvimento sensível do leitor com a personagem. Em especial no capítulo dedicado a ela, pois que ali se resume sua vida, desde os anseios por ossos, sofrimentos por feridas, e até mesmo um aspecto lúdico de seu comportamento; quando tudo termina com uma imagem da própria imaginação de Baleia, que exprime o seu desejo ingênuo por um mundo cheio de preás, evidencia-se ao leitor que em meio a toda aquela miséria, subjugação dos nordestinos, opressão classista, luta pela mera sobrevivência – ela também tinha uma pequena ambição pessoal. E por meio de um sonho que “termina em delírio porque não há lugar para ele, só pode ser realizado pela transformação do mundo” (BASTOS, 2013), o leitor tem seu último e mais emocionado encontro com Baleia, que pode constituir uma Katharsis; essa experiência pode ocasionar, de acordo com Jauss, “uma transformação das convicções do espectador por meio do prazer dos afetos provocados pelo discurso” (JAUSS, 2002), trazendo, assim, para a percepção de mundo do leitor, uma visão renovada: de que os animais, no mundo externo ao romance, são indivíduos, dotados de interesses próprios.

 

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[i] The Cambridge Declaration on Consciousness (2012)

http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf

 

PEREIRA, M. L. apud CANDIDO, Antonio (1918). Ficção e Confissão: ensaios sobre Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul 2006.

 

CANDIDO, Antonio (1918). Ficção e Confissão: ensaios sobre Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul 2006.

 

JAUSS, Hans Robert. O prazer estético e as explicações fundamentais da poiesis, aisthesis e Katharsis. In: JAUSS, Hans Robert. Et. Al. A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

 

BASTOS, Hermenegildo. (2013) Pósfácio. In Vidas Secas, Rio de Janeiro: Record.

 

Ato contra a Experimentação Animal no CB

No dia 06/11/2013 o VEDDAS teve uma feliz colaboração do grupo CRUOR de arte contemporânea para a realização de uma intervenção de conscientização no Centro de Biociências da UFRN.

O evento faz parte da Campanha pelo Fim dos Testes em Animais, que iniciamos em setembro.
Encenamos a experimentação animal, mas com objetos humanos de estudo, para provocar a reflexão a respeito da semelhança que temos com os animais, para provocar a sensibilização. Segue o vídeo da ação:

http://www.youtube.com/watch?v=Vz460ZZeOX4

20/11/2013 – CineVEDDAS

O Cine desse mês será tematizado por influência do caso do resgate dos Beagles do finado Instituto Royal;

Exibiremos o documentário Não Matarás, produzido pelo Instituto Nina Rosa, que trata da questão a partir de diversos pontos de vista, e conta com a participação de um série de profissionais de diversas áreas.

Após a exibição, teremos a transmissão ao vivo do debate que estará ocorrendo em São Paulo com o biólogo Sérgio Greif.

Anfiteatro dos Répteis – CB (Centro de Biociências) – UFRN, às 18h, dia 20/11

10/12 – DIDA – Dia Internacional dos Direitos Animais

Na data do DIDA – 10 de dezembro – o VEDDAS realiza uma ação inspirada no Igualdad Animal, da Espanha (http://www.flickr.com/photos/igualdadanimal/8256330682/). Nessa intervenção de rua alguns voluntários se postam, em posição de luto, segurando animais vítimas da indústria da morte, seja de cosméticos, laboratórios, açougues, etc. O intuito é refazer a conexão com o corpo e vida do ser que já não existe mais no produto final, que retira-se da prateleira sem maiores reflexões. Voluntários para colaborar no dia são sempre bem-vindos, pedimos que manifestem interesse através do e-mail veddas_rn@veddas.org.br

Grupo de Estudos sobre experimentação animal

 Nesse sábado, dia 9 de novembro, aproveitando as inquietações a respeito do tema, trazidas à tona pelo caso do Instituto Royal, nos reuniremos para discutir o texto abaixo:
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Junte-se a nós, a partir das 15h, no Espaço Saúde & Movimento – Rua Ataulfo Alves, 1959!
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Além disso, deixamos aqui alguns textos que podem servir de apoio para a discussão, também:

VEDDAS na estrada – Semente de Girassol e Mercado Municipal

Hoje viemos para Curitiba, aproveitar o Congresso de Vegetarianismo para passear um pouco 😉

Saimos de Natal de carro para Recife, de onde conseguimos uma passagem mais em conta – o que não se faz por uma promoção. Perdemos horas no trânsito, os voos também atrasaram, mas tudo valeu a pena. Logo que chegamos, conhecemos o Mercado Municipal, uma festa de cores e possibilidades para os veganos, ficamos encantados; tristes por não termos nada assim em Natal… almoçamos às pressas em um self-service qualquer, que é sempre a salvação dos veganos em terras estranhas (pagamos mais barato por não comermos carne; quase sempre dá para dar esse migué), e seguimos passeio; que foi basicamente encontrar roupas mais quentes para escaparmos desse frio absurdo.

Chegando a hora do jantar, então, encontramos um guia online muito legal (http://vegcuritiba.wordpress.com/) onde descobrimos a tal da lanchonete vegana Semente de Girassol.

Um lugar um pouco escondido, sem placa, mas logo percebemos o singelo “semeando um mundo vegano” escrito no vidro. Entramos e demos de cara com prateleiras cheias de produtos Contente, phytoervas, phebo, outros produtos de higiene menos conhecidos, livros (galactolatria, jaulas vazias, e muitos outros titulos), filmes, farinhas, sementes… sendo vendidos quase – ou exatamente – a preço de custo.

Pedimos a comida: coxinha (massa de batata, frita sem óleo), pastéis de forno, x-salada, e – PASMEM – chocolate quente com leite de castanha-do-pará. Tudo foi veementemente aprovado e recomendado por nós.

Tinha ainda pão-de-melado, danoninho, e outras coisinhas interessantes. Tudo vendido também sem intenção de lucro, e sim com intenção de divulgar o veganismo podendo até competir com os produtos de origem animal.

Além de toda essa estrutura – sendo mantida admiravelmente por Josi e Emerson e mais duas pessoas que não tivemos a oportunidade de conhecer, das 7:30 da manhã até às 22:30 da noite todos os dias – eles ainda vendem LEITES VEGETAIS a R$ 1,50 o litro (1,00 se trouxer a garrafa!).

Uma iniciativa inspiradora, e torcemos para que consigam continuar crescendo, como pretendem, e que todas as pessoas que têm tido contato com essa ideia consigam se inspirar também. Terminamos o dia gratos pela imersão vegana que iniciamos na cidade, chegando muito mais além do que esperávamos.

Deixamos o dia repletos de esperança,

abraços abolicionistas a todos (:

Semente de Girassol – lanchonete vegana – rua 13 de maio 512.  – funcionamento das 7h30 as 22h30 de segunda a domingo.

Grupos de Estudos – I Semana de Direitos Animais de Natal

Os grupos de estudos dessa semana explorarão a relação do veganismo com o anarquismo e o feminismo.

O primeiro (que terá lugar no dia 16 às 17h no Auditório B do CCHLA, Setor II da UFRN) será ministrado por Igor Maia, estudante de Ciências Sociais na UFRN, vegano e anarquista. Para um maior aproveitamento do encontro, aconselhamos a leitura do texto: http://luxalt.blogspot.com.br/2011/09/libertacao-animal-e-revolucao-social.html

O segundo (que ocorrerá no CCHLA dia 20 as 17h) será ministrado por Valéria Araújo, Enfermeira, Mestranda em Sociologia pelo PPGS/UFPB e Especialista em Gênero e Sexualidade pelo CLAM/IMS/UERJ. Para uma maior participação no dia, aconselhamos a leitura do material a seguir:

Artigo

Viva-o-feminismo-vegano-borrando-fronteiras-de-gênero-sexualidade-e-espécie

29137-96440-1-PB

EGeS D2 – Texto Grupoestudos

CARTA DE INTENÇÕES PARA A EMPRESA LE CIRQUE

As leis brasileiras proíbem o tratamento cruel despendido aos animais (art. 32 da L. 9.605/95). É uma regra simples e taxativa. Em nossa sociedade, praticar ato de maltrato contra animal não é apenas moralmente condenável. É crime. Desavisados e esperançosos de plantão podem acreditar que isto resolve todo o problema da exploração dos animais em nossa sociedade. E deveria mesmo. Mas o que acontece? Que bagunça é essa, afinal? Como o preceito da lei 9.605/95 coabita com o uso de animais em circos? Com a prática de rodeios e vaquejadas? Com a escravização, tortura e morte de milhões e milhões de seres que sofrem e desejam a vida tanto quanto nós simplesmente para servirem ao prazer gastronômico? 

O problema é que, cinicamente, apenas consideramos cruéis a submissão dos animais ao sofrimento “inútil” ou “desnecessário”. Por favor, acompanhe esse pensamento com cuidado, pode parecer por demais simplório, mas acredite, há quem não consiga fazer certas conexões quando elas são muito óbvias: aproveitemos a citação da Lei que proíbe o tratamento cruel aos animais para evidenciar uma coisa que se mostra o tempo inteiro e que pouca gente percebe de verdade: os animais sofrem! Veja se não? “Tratamento cruel”, como a lei fala, só pode ser exercido contra quem tenha capacidade de sentir! E os animais sentem! Sentem dor física e psicológica! E não há adestrador de animal de circo que não saiba disso! Tanto que utilizam A DOR E O MEDO DA DOR para fazerem com que os animais se submetam às suas vontades. 

Ora, quando se ataca a existência de circos com animais, ou os rodeios e vaquejadas, por exemplo, não se quer atacar o entretenimento. São incomensuráveis as formas de diversão que não promovem a exploração animal. E assim é com tudo! A exploração dos animais não-humanos não é sustentada por atos praticados em estado de necessidade. Ao contrário, tratam-se, na maioria dos casos, de atos de utilidade e necessidade substituíveis, dispensáveis ou supérfluos.

De tão óbvio, soa, inclusive, ridículo, vir aqui argumentar que os direitos dos animais à vida, à liberdade e à integridade física e psicológica não podem ser sobrepujados em prol do divertimento específico que as apresentações circenses com animais promovem em alguns. Trata-se ali de uma encenação bizarra e de péssimo gosto para representar a dominação humana sobre os demais animais. É isso o que se legitima e o que se fortalece em nosso ideário com essas apresentações: “o ser humano tudo pode! vejam como elefantes e rinocerontes – gigantes da natureza – se curvam frente ao homem!”. NÃO! Não concordamos com essa mensagem. Não concordamos que o Homem possa sobrepor seus interesses à custa da usurpação dos Direito dos animais à vida, à liberdade, e à integridade física e psíquica.

Quando, após anos e mais anos de histórico de exploração e maus tratos contra animais, a Justiça brasileira retirou da LE CIRQUE a posse dos animais que explorava, entre os quais elefantes, rinocerontes, girafas, camelos e etc. Abria-se ali uma oportunidade para a redenção de um erro grotesco. Durante o processo (mpdft.gov.br/comunicacao/site/arquivos/lecirque.doc) foi evidenciado para todas as partes as aberrações à que aqueles animais eram submetidos. Mas apesar disso, a empresa LE CIRQUE continua lutando na justiça pelo direito à reaver os animais que explorava e, ABSURDO, há pouco tempo, obteve posicionamento nesse sentido!

Por todo o exposto, pois, pedimos que a LE CIRQUE aproveite a oportunidade para revisar as suas escolhas, desistindo do litígio jurídico que ainda perdura para reaver a posse dos animais, desistindo de uma vez dessa prática medonha que infringe dor e sofrimento a seres sencientes. É o que, certos de termos o apoio da sociedade, pedimos.

Manifesto em repúdio ao Encontro Nordestino do setor de leite e derivados ou, no nosso entender, “Encontro dos exploradores de fêmeas lactantes do NE”.

Nesta semana ocorre o XI Encontro Nordestino de Produtores de Leite e Derivados, evento que atende as ambições de uma indústria que se mantém às custas de órfãos, sofrimento e, sim, morte.

Os representantes da indústria de laticínio lá presentes decidem o destino de milhões de fêmeas e filhotes, em verdadeiros campos de concentração. Indivíduos sencientes que são subjugados e escravizados incansavelmente até o momento de seu assassinato. As fêmeas são mantidas grávidas, separadas de seus filhotes logo após o nascimento (as fêmeas ocuparão, quando crescidas, o lugar de suas mães e os machos serão mortos para produção de “produtos cárneos”), enclausuradas, presas a mecanismos que sugam sem piedade de suas tetas o leite roubado de seus filhos.

Diante da crise, no lugar de buscar-se alternativas, opta-se por estudar novos meios de exaurir essas vacas, de lucrar mais com a sua escravidão. O NE quer esse tipo de progresso?

A sociedade mantêm-se desatenta a esta situação degradante a qual milhões de indivíduos não-humanos são mantidos para gerar lucro. Engana-se quem considera que o leite não-humano e seus derivados são alimentos, fontes de nutrientes para humanos. O são para os filhos da própria espécie. O leite humano, este sim, é fonte de nutrientes para filhotes humanos. Os laticínios encontrados à venda não passam de pânico, sofrimento, dor, sangue e morte pasteurizados e envazados.

É desesperador saber que encontram-se, neste momento, discutindo o desenvolvimento desta indústria, ao mesmo tempo em que suas escravas geram o seu lucro a partir de suas tetas, onde a seiva da vida de seus filhos é transformada em cédulas e ganância. É desesperador saber que estas palavras não fazem aqueles que estão à frente dessa estrutura refletir sobre os direitos que estas fêmeas e seus filhos deveriam ter assegurados. Para eles, são só mecanismos. Para elas, uma existência vazia. Sem a perspectiva de uma vida plena, sem seus filhos, sem sua liberdade, sem o direito sobre seu próprio corpo e sua vida.

Aqueles que se encontram, neste momento, pensando sobre seu lucro, negam-se a pensar sobre quais meios são gerados. Estão demasiadamente envolvidos neste sistema. Encontram respaldo uns nos outros. Apenas replicam e difundem os mesmos sensos-comuns. Reconhecem-se no discurso do outro. Seria um dos motivos para esse encontro? Sim. De mesma forma como esta união gera um lobby, uma força simbólica na sociedade, para perpetuar tal indústria.

Não só produtores participam dessa indústria, mas o Estado, assim como empresas que veem nesse “nicho de mercado” uma fonte de lucro. Um mote para, às custas da escravidão, alcançar um conceito artificial de “desenvolvimento da sociedade”. Artificial, já que tal perspectiva se constrói através do capital econômico e não pelo desenvolvimento do bem-estar dos indivíduos humanos e não-humanos, da garantia dos direitos, da noção de igualdade entre estes. O contrário disso: preocupam-se na manutenção das injustiças, com um véu de sensação de bem-estar preso ao consumo, que financia a escravidão, gerando assim um círculo vicioso, a sensação de que tais injustiças são necessárias à sociedade. Você pode mudar isso. Seja vegano. Boicote produtos de origem animal. Seja um consumidor consciente. 

 PROCURE NO GOOGLE: “ÓRFÃOS DO LEITE”; “O MITO DO LEITE” ;  “CASANOVA E SONNY”